Recebi um e-mail do Antônio Carlos, aluno do Eu Vou Passar, pedindo ajuda com o cálculo alternativo de variância, quando optamos por usar a variável auxiliar.
Bom, relembrando, a variância é uma medida de dispersão. Ela me indica o quanto os dados estão afastados da média aritmética. Para calcular a variância, fazemos assim:
![clip_image002[11] clip_image002[11]](https://lh3.googleusercontent.com/blogger_img_proxy/AEn0k_sfv3fmPAVLMswi_AsgFFydLoRk-Xsxs8jYvIjEHmrk3VgPjCh5NdD3iOnmQ9wqlPuFDhBO-aU5stLHoOKb0fjF-fb0LQh3KWJ2cdobTcGCUAzbjxC9Z-Ry1bPhf23Uy0vajJZNZok9U0EcvqNpmezfDsI=s0-d)
Ou seja, calculamos a média dos quadrados dos desvios. Desvios estes calculados em relação à média aritmética.
Caso estejamos diante de uma amostra, usamos “n – 1” no denominador. Neste caso, usamos o símbolo s2 para a variância.
![clip_image004[11] clip_image004[11]](https://lh3.googleusercontent.com/blogger_img_proxy/AEn0k_ttwwvp6hpDcuXHHyq6Vv71KoFMmRZO4iWKxHhfxZfhM1e_cWN6xoqI_L8Lia985dW9jQOI2tQqlj-qQag_vzeqH2-u7JruQYRgApucKjgQmRyppI6AVTPAlUqIRJ0lDkFwu8fFNcodBSsIwf-xVqcO4wI=s0-d)
Não entrarei em detalhes no porquê disso, mas fica registrado que o objetivo é obter um estimador não-viciado da média da população.
Ok, continuando.
O grande detalhe é que esta forma de cálculo é muito demorada, é trabalhosa. E, na hora da prova, é sempre bom poupar tempo.
Pois bem, outra maneira de calcular a variância, que demanda muito menos tempo, é a seguinte:
![clip_image006[7] clip_image006[7]](https://lh3.googleusercontent.com/blogger_img_proxy/AEn0k_tLlREQzwcZorldl5HLiUP1VNxYGz2OLrwapL7TCUOwh2q3gWYcsKsjorY5l3mrgYWAxSRFqjenzhPjyxa6e7WW5-Myt4pl7c0vhODQESysQab5Ozbac_tvszm7rg6sHRyqreTh02P1UsjmEPM2LjL4qkw=s0-d)
Ou seja:
- calculamos a média dos quadrados
- calculamos o quadrado da média
- subtraímos um do outro, obtendo a variância populacional
Detalhe: essa forma alternativa pressupõe que utilizamos “n” no denominador. Se estivermos diante de uma amostra, temos que multiplicar por “n” (para anular a divisão feita pelo próprio “n”) e dividir por “n – 1”, para obter o denominador correto. Fica assim:
![clip_image008[5] clip_image008[5]](https://lh3.googleusercontent.com/blogger_img_proxy/AEn0k_tu4ZQGIuKrOylKGQPF7TZFOkTLtDsHE6rtmyasAzJ_WrTG6Mjn2W2uVDPLwY-hoAie-X70yM2NmrI6X4zYvsT74oDe1wmEq0-dhjE58nYmKy4cb9sG_OEbgdSvKbKuNUF6C2AtoWib2eIcG_i6Z1x0rjA=s0-d)
E, é claro, podemos usar o cálculo alternativo da variância em qualquer situação, inclusive quando decidimos adotar a variável “auxiliar”. E aqui reside a dúvida do Antônio Carlos.
Para ver como fica, nada melhor que um exemplo. Utilizarei a recente prova da Esaf, feita agora em 2012:
(ESAF - Ministério da Integração Nacional 2012)A distribuição de frequências em classes do salário mensal x, medido em número de salários mínimos, de uma amostra aleatória de 50 funcionários de uma empresa, é apresentado a seguir.
Classe |
 |
Mais de 0 a 10 |
22 |
Mais de 10 a 20 |
13 |
Mais de 20 a 30 |
10 |
Mais de 30 a 40 |
3 |
Mais de 40 a 50 |
2 |
Usando os dados acima, obtenha o valor mais próximo da variância amostral do salário mensal.
a) 121,5
b) 124
c) 126,5
d) 129
e) 131,5
Resolução:Seja “X” o ponto médio de cada classe.
Classe |
![clip_image002[1] clip_image002[1]](https://lh3.googleusercontent.com/blogger_img_proxy/AEn0k_tAE5qfgPOMZvvzIkdjh4qiyRaDTXqXzM6VDhucO9ylUkdo_M4OF9tgC296SPqpnwC42vhW5VcyoMM7HCzi3Cg37Fu_1D0aYMiT3kyW-F3rX763LPntkPg4qwF9IeqCS5aZdGgt_y69ypUGI--V_MM_J-c=s0-d) |
![clip_image004[1] clip_image004[1]](https://lh3.googleusercontent.com/blogger_img_proxy/AEn0k_tDvDRc9Z7INj7yxt-rhmwS0Swsc8N8aXbQlW72p1X8tx2sXRrMGGUIjyZEAA_pS4NpOhCWEUar_bT3JE79afqQnuNXwQfESi2-Q-4m_LnVjoIK6x85TboYmdygELrvOZTf7gT5aoc4P8TEsTnN6ZsKwdQ=s0-d) |
Mais de 0 a 10 |
5 |
22 |
Mais de 10 a 20 |
15 |
13 |
Mais de 20 a 30 |
25 |
10 |
Mais de 30 a 40 |
35 |
3 |
Mais de 40 a 50 |
45 |
2 |
Observem que os valores de X são elevados. Para diminuir um pouco as contas, usamos a variável auxiliar, que eu costumo chamar de “d”.
Vamos criar a variável auxiliar “d”, dada por:

Fazemos assim: subtraímos da variável "X" a constante 25 (ponto médio da classe central) e dividimos por 10 (amplitude de classe). O resultado fica:
![clip_image002[2] clip_image002[2]](https://lh3.googleusercontent.com/blogger_img_proxy/AEn0k_vuEXbRlcdavotK0n6M_HKkykN5egujjTBLRytfNlcQmIjWJaq7q7UOndK1PcTVliPEq2JbvVUsoHA4bOJlI08TByaWliHzUx7k4dUGWIOBmWdwBq04tSPsjghiYXAtvJj18f_mvmW5aZgWHOYzpLyYrA=s0-d) |
 |
![clip_image004[2] clip_image004[2]](https://lh3.googleusercontent.com/blogger_img_proxy/AEn0k_uVtLJPiXWTm1ftCP8HqPOXqkLtjvspXt05yA-46KCjvGscBErGtYSIdv4YiY8xR6Rgs7zK_BUYsL8EXE8LQmjwIaylpjwQdf_xL0ds-zlBVxd5QHCE2LoBcUVf_49bqup8ECxn_mxLtEVEZgshsGK_MJQ=s0-d) |
 |
5 |
-2 |
22 |
-44 |
15 |
-1 |
13 |
-13 |
25 |
0 |
10 |
0 |
35 |
1 |
3 |
3 |
45 |
2 |
2 |
4 |
TOTAL |
|
50 |
-50 |
Observação: não existe regra fixa para cálculo da variável “d”. O objetivo é usar qualquer transformação (envolvendo somas, subtrações, divisões e multiplicações de constantes) para chegarmos a números mais fáceis de se trabalhar.
Outra forma de cálculo muito comum em livros é subtrair X do ponto de maior frequência. Também dá certo. Aí vai do “gosto do freguês”.
Continuando.
Agora calculamos a média e a variância para “d”. Por quê? Porque para “d” os valores são menores, mais fáceis de se trabalhar.
A média de “d” fica:

Com o mesmo raciocínio, calculamos a média de

![clip_image002[2] clip_image002[2]](https://lh3.googleusercontent.com/blogger_img_proxy/AEn0k_vuEXbRlcdavotK0n6M_HKkykN5egujjTBLRytfNlcQmIjWJaq7q7UOndK1PcTVliPEq2JbvVUsoHA4bOJlI08TByaWliHzUx7k4dUGWIOBmWdwBq04tSPsjghiYXAtvJj18f_mvmW5aZgWHOYzpLyYrA=s0-d) |
 |
 |
![clip_image004[2] clip_image004[2]](https://lh3.googleusercontent.com/blogger_img_proxy/AEn0k_uVtLJPiXWTm1ftCP8HqPOXqkLtjvspXt05yA-46KCjvGscBErGtYSIdv4YiY8xR6Rgs7zK_BUYsL8EXE8LQmjwIaylpjwQdf_xL0ds-zlBVxd5QHCE2LoBcUVf_49bqup8ECxn_mxLtEVEZgshsGK_MJQ=s0-d) |
 |
5 |
-2 |
4 |
22 |
88 |
15 |
-1 |
1 |
13 |
13 |
25 |
0 |
0 |
10 |
0 |
35 |
1 |
1 |
3 |
3 |
45 |
2 |
4 |
2 |
8 |
TOTAL |
|
|
50 |
112 |
O que resulta em:

Agora é só aplicar a forma alternativa de cálculo da variância. A variância populacional é igual à diferença entre a média dos quadrados e o quadrado da média:


Na variância populacional, o denominador é “n”(= número de dados na amostra).
Mas nós queremos a variância amostral, com denominador “n – 1”. Então multiplicamos o resultado acima por “n”, para cancelar a divisão feita, e dividimos por “n – 1”, para chegarmos ao denominador desejado.

Essa é a variância amostral para “d”.

Agora calculamos a variância amostral para X. Assim:
![clip_image006[1] clip_image006[1]](https://lh3.googleusercontent.com/blogger_img_proxy/AEn0k_tD97z2A-q0m8-I5ZETZkU9Un7vKqGcUeTPwgHYqLuTDCfO3yoF2vOEyJg7d22OH5Om_VLuESrrYnmPV_I679ox_kdoI8eHnJdK-2vPmiLDK1l7MMFyVJGy2lDntXJwBqSmodS53ktSjUOemIwWcU8xyKg=s0-d)

Quando multiplicamos os dados por uma constante (10), a variância fica multiplicada pela constante ao quadrado (102). Quando somamos uma constante aos dados (25), a variância não se altera.


Gabarito: CPronto. Usamos o cálculo alternativo da variância em conjunto com o emprego da variável auxiliar. Como fizemos?
Calculamos tudo para a variável auxiliar (média e variância). Depois usamos propriedades da variância para achar a dispersão da variável original (X).
É isso.
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